Tomar

Blogue sobre Tomar, a sua história e actualidade

Leonel Vicente
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“GUERREIROS DE CRISTO” (III)

“Difícil é saber o que seria o tal segredo, porque cada adepto da conspiração tem uma teoria preferida. Alguns falam das relíquias sagradas do templo judaico; outros, do Santo Graal. Há quem afirme que se tratava da própria cabeça embalsamada de Jesus Cristo, prova de que ele não tinha ressuscitado nem era divino. Os mais modestos sugerem que as ruínas do templo deram à ordem conhecimentos secretos sobre a natureza mística da arquitectura, como forma de criar espaços sagrados e de comunicar com Deus. Mais tarde, essa sabedoria teria sido passada à maçonaria, que originalmente era uma confraria de mestres construtores (maçons, isto é, pedreiros).

Para a maioria dos historiadores, no entanto, o motivo do silêncio sobre a ordem nesses primeiros anos é muito menos empolgante: é que ela ainda não tinha a menor importância (e que mais seria de esperar de nove cavaleiros que se propunham enfrentar todos os infiéis e bandoleiros da Palestina?). Porém, pouco a pouco, a ajuda de patronos poderosos e a sua coragem no campo de batalha começaram a aumentar o poder dos templários.

Em 1126, Hugo de Payns, nessa altura já conhecido pelo título de grão-mestre (chefe supremo) dos templários, viajou para o Ocidente para procurar recrutas e o apoio oficial da Igreja, e atraiu para o seu lado o monge francês Bernardo, abade do mosteiro cisterciense de Claraval, que foi canonizado como S. Bernardo.”

Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006

“GUERREIROS DE CRISTO” (II)

“Seja como for, o facto é que, naquele mesmo ano, ele e mais oito companheiros (a lista nos nomes existe, e todos parecem ter vindo da nobreza de França) fizeram um juramento sagrado. Os votos eram exactamente os mesmos de qualquer monge do século XII ou de hoje: pobreza, obediência e castidade. Porém, a sua missão era surpreendente: assegurar, de espada na mão, que os peregrinos tivessem acesso sem medo aos lugares sagrados.

Balduíno II deu-lhes como residência parte do que ele julgava ser o Templo de Salomão. Na verdade, tratava-se da Cúpula do Rochedo e da mesquita Al-Aqsa, construídas pelos muçulmanos no lugar onde o templo tinha existido na época de Jesus. É a origem do nome “templários”: o lugar ficou tão identificado com a ordem que muitos se referiam a ela como “o Templo”.

Começa então a funcionar a todo o vapor a fábrica de lendas sobre os templários. Pouco se ouve falar das suas actividades, o que atrapalha bastante quem tenta entender a forma como a ordem evoluiu nesse momento crucial. “Os documentos sobre essa fase da história dos templários são escassos. De 1120 até 1140, tudo é especulativo”, diz Ellis “Skip” Knox, da Universidade de Boise (Estados Unidos).

Isso permite que os mais delirantes falem de uma escavação secreta no terreno do antigo templo: Hugo e companhia teriam descoberto um segredo dos primórdios da cristandade mesmo por baixo do seu quartel. Só alguns nobres de elevado escalão teriam sido informados da “descoberta” e silenciaram-na, em conluio com a ordem.”

Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006

“GUERREIROS DE CRISTO” (I)

“Os templários (o nome completo era Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Jerusalém) eram filhos das Cruzadas, o movimento que levou dezenas de milhares de europeus à Palestina para restaurar o domínio cristão sobre a terra onde Jesus nasceu e morreu. Para os que embarcaram na difícil empresa, enfrentar a morte na batalha por Cristo significava uma passagem de primeira classe para o paraíso.

Organização e planeamento nunca foram o forte dos guerreiros: desconheciam a Palestina e cometeram muitos erros. Mesmo assim, em 1099, entraram vitoriosos em Jerusalém. Em teoria, a Terra Santa seria então segura para os muitos peregrinos que vinham da Europa. Na prática, o que os primeiros cruzados conseguiram foi um punhado de cidades que permaneceram cercadas por um mar de muçulmanos.

A segurança dos peregrinos e dos comerciantes era um problema crónico. O devoto escandinavo Saewulf, que foi a Jerusalém em 1102, escreveu: “Os sarracenos estão sempre a armar ciladas aos cristãos, à espreita dos que podem atacar por estarem num grupo mais pequeno ou daqueles que, por cansaço, ficam para trás. Ah, o número de corpos humanos que jazem, despedaçados por bestas selvagens!”

O perigo levou alguns nobres a irem participar na defesa da Cidade Santa mesmo depois de conquistada. Um desses aristocratas era um cavaleiro do Norte de França, Hugo de Payns, até então um ilustre desconhecido. Não se sabe exactamente quando nem por que razão Hugo foi parar a Jerusalém. Alguns relatos dizem que era viúvo e decidira dedicar-se a Deus depois da morte da mulher. Outros historiadores falam de um massacre especialmente sangrento de peregrinos, que aconteceu na Páscoa de 1119 e levou o rei de Jerusalém, Balduíno II, a estimular a formação de uma milícia que protegesse os fiéis, e que seria liderada por Hugo.”

Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006

“INEQUAÇÕES DO TEMPO VERDADEIRO”

Algumas ideias-chave deste livro

“Nem tudo o que é velho e passado é histórico, nem tudo é digno de prevenção, preservação e conservação. As opções de conservação dependem de sistemas de valores e de culturas, de concepções historiográficas e estéticas, que cada época suporta, não são quadros mentais estáticos de apreciação abstracta. Endeusar soluções e opiniões contemporâneas é impedir que a dúvida, que despoleta toda a investigação e reflexão teórica e crítica, se possa libertar das nossas convicções. Por isso, a obsessão da salvaguarda de certas imagens que nos sugerem arquétipos de vida, não se pode sobrepor à própria vida. Se, simbolicamente, a conservação se traduz numa vitória temporária sobre a morte, ela não pode significar o atrofiamento das perspectivas da vida.”

“(…) estar a preparar Alunos para uma das mais belas profissões do mundo sem que se incentive e institucionalize a discussão ética e deontológica do seu estatuto, é reduzir a visibilidade social e as perspectivas da sua profissão. É necessário que as escolas, para além de formarem, estudem, também, um código profissional dos conservadores-restauradores que os retire da menoridade social de práticas e de estatutos técnico-profissionais para os quais ainda estão actualmente remetidos. É suposto que as escolas, mais do que gerirem o acanhado presente, tenham a ousadia de interrogar, planear. E trazerem, assim, qualquer coisa que se assemelhe a futuro para o interior das suas salas.”

“O século XIX descobriu o potencial criador de virtudes cívicas que a escola representava: ela passou a constituir o vértice da aprendizagem da cidadania, essa espécie de última edição, remodelada, do Novo Testamento – ou da luz do fogo sagrado que Prometeu ditava agora aos homens do presente. Mais do que ensinar, a escola agora destinava-se, por imperativo ideológico, a moldar, configurar, fabricar consciências e atitudes. Esse processo conduziu, em troca, à criação de uma consciência de cidadania, sobretudo nos meios letrados. Os professores deveriam ser missionários laicos ou, até, sacerdotes das novas religiões cívicas e do espírito da laicidade, quando os catecismos positivista e cientista substituíram os velhos missais nas cabeças dos lentes ou dos mestres-escola.

Aprendiam-se nas aulas cartapácios e tratados, bátegas de coisas e bestialidades de livros que deixavam aos alunos a vaga sensação de terem sido transformados – como se fosse mítico metamorfismo desprendido da fábula poética – em autênticas bestas . Esta correspondência com o reino animal é clara. Na Universidade portuguesa oitocentista não se dizia “estudar” mas “marrar”, e aluno de excepção era logo crismado com nome de animal, era um urso. Os excepcionalmente medíocres também eram assimilados aos animais e por qualquer motivo, talvez pela proverbial teimosia, ou pelo chocalho som do zurro, eram epitetados de burros. Dos inteligentes, em demasia, se dizia possuírem o voo da águia. A própria Universidade se auto-representava como o alto lugar onde pairam os mochos, ou seja, a rara espécie dos animais inteligentes.”

“INEQUAÇÕES DO TEMPO VERDADEIRO”

O livro “Inequações do tempo verdadeiro”, de Paulo Archer, vai ser lançado pela editora O Contador de Histórias, dia 19 de Outubro, quinta-feira, pelas 21 horas, na Biblioteca Municipal de Tomar, seguido de uma conferência pelo autor.

Autor das obras “Sentido(s) da utopia” e “Caos e razão”, também publicadas por esta editora, Paulo Archer é mestre em História Contemporânea, tendo leccionado nos anos mais recentes no Instituto Politécnico de Tomar as cadeiras de História da Cultura Clássica, História Contemporânea e Cultura Portuguesa.

“Chama-se vulgarmente, em linguagem matemática, equação do tempo verdadeiro ao quantitativo ou expressão algébrica que se torna necessário adicionar ao tempo verdadeiro para se obter o chamado tempo médio” refere o autor na introdução ao presente volume. “É, assim, a expressão simbólica e também – antes de se saber qual seja a sua dimensão – a expressão indeterminada, duma dada relação de quantidade. Mas nas linguagens oriundas ou codificadas pelo conjunto de conhecimentos os quais designamos, por norma, antropológicos e humanos, a expressão “tempo verdadeiro” convoca um persistente mito manuseado ou investigado pelos saberes sociais (quer sejam da ordem do histórico, do filosófico ou mesmo do sociológico): o mito da origem.”

O livro “Inequações do tempo verdadeiro” colige vários textos que, na generalidade, provêm de prelecções académicas dirigidas aos alunos do curso de Conservação e Restauro. Segundo Paulo Archer, “colocam-se aqui questões que solicitam, por paradoxal que pareça, um entendimento sobre o tempo, um olhar da história sobre o lugar das ideias na História. (…) Por vezes, tempo é mesmo o conceito nuclear, quando falamos em cultura, conservação, destruição ou restauro: parece que, aí, queremos aprisionar os dias que passam, imobilizar o tempo a partir do objecto, torná-lo prisioneiro do nosso conhecimento.”

“O BREVIÁRIO DO CAVALEIRO”

Emmanuel-Yves Monin

«Quem és tu, Cavaleiro que segues pelos Caminhos
E manténs a Ordem Universal?
Tu és o Protector dos Valores Primordiais que habitavam o Homem.
Tu és o seu Protector e o seu Representante.»
O Breviário do Cavaleiro é uma obra actual, inspirada no espírito da Cavalaria e enriquecida com gravuras medievais. Com uma escrita imbuída da mística cavaleiresca e num tom épico, inaugura a nova colecção da Zéfiro, Arquivos da Cavalaria.

“TEMPLÁRIOS – DE MILÍCIA CRISTÃ A SOCIEDADE SECRETA” – VOL. I

Eduardo Amarante

Este livro é o primeiro de uma trilogia que aprofunda a história da Ordem do Templo de uma forma completa e abrangente.«A Ordem do Templo, obreira de um novo tempo, foi pioneira em resgatar das antigas culturas e tradições, da filosofia e do cristianismo primitivo, elevados valores humanos de conduta moral e religiosa, tão necessários para o conturbado período que se seguiu ao ano 1000. Paralelamente a este aspecto interno, o seu mentor e orientador, Bernardo de Claraval, desenhou um plano mais amplo de cariz externo: fundar um império cristão, balizado em valores de tolerância e fraternidade universais, constituído por homens de fé e cavaleiros valorosos e capazes de combater em prol da cristandade.

Igualmente não se poupou a esforços para que os “seus” dilectos cavaleiros templários (sobretudo os mais altos dignitários da Ordem do Templo) encetassem contactos com os sábios das artes e das ciências antigas do Oriente, mantendo-os, assim, longe das intrigas e jogos de influências que se moviam nos bastidores do poder dos Reis, de Roma e dos mercadores venezianos.

Não fosse o plano ter sido descoberto e os Estados Latinos do Oriente terem caído, mais tarde, em posse do inimigo e, quem sabe, uma Nova Ordem Mundial teria emergido na Europa e no Mundo…»

“A REGRA SECRETA DOS TEMPLÁRIOS”

«Havia na Ordem um regulamento tão extraordinário, sob o qual tinha de ser guardado um tão grande segredo, que qualquer irmão preferia que lhe cortassem a cabeça a revelá-lo.»Em 1780 foi encontrado um pergaminho nos Arquivos do Vaticano decorado com a cruz da Ordem do Templo e com um texto em escrita românica. Este manuscrito é composto por quatros partes: a Regra oficial da Ordem, o Livro do Baptismo de Fogo ou Estatutos Secretos (a Regra dos Irmãos Eleitos e a Regra dos Irmãos Consolados) e «a lista dos sinais secretos que o Mestre Roncelinus reuniu» (misteriosamente desaparecida). Mais tarde, este documento passou a ser conhecido como os Estatutos do Mestre Roncelin.

A Regra Secreta dos Templários, publicada pela primeira vez em português, inclui uma transcrição e tradução da segunda e terceira partes do manuscrito, e é apresentada e contextualizada por José Medeiros.

“O PERDÃO DOS TEMPLÁRIOS”

José Medeiros, Luís-Carlos Silva, Pinharanda Gomes, Rainer Daehnhardt, Sérgio Sousa-Rodrigues

Este livro toma como ponto de partida o Pergaminho de Chinon, um manuscrito encontrado na Biblioteca Secreta do Vaticano em 2002, que indicia um “perdão secreto” dado aos templários pela Igreja, em 1308 – um ano após a perseguição feita aos cavaleiros. O manuscrito foi traduzido por especialistas directamente a partir do documento original, em latim medieval. A sua tradução, bem como a transcrição, são publicadas pela primeira vez na língua portuguesa.Para além da investigação sobre o referido pergaminho, este livro contém diversas revelações, nunca antes publicadas a nível mundial, sobre a Ordem do Templo, bem como outros artigos sobre a história da Ordem desde os seus primórdios, à sua continuação em Portugal como a Ordem de Cristo, até às sobrevivências actuais do espírito templário. Uma obra inovadora e de referência que irá, sem dúvida, ajudar a abrir novas portas para o estudo do Templo.

PEDRO SILVA – 2 NOVOS LIVROS

Pedro Silva, autor de vasta bibliografia, nomeadamente sobre a temática dos Templários, acaba de lançar duas novas obras:

- “Mistérios da Humanidade” – ver mais aqui.

- “Símbolos e Mitos Templários” – ver mais em www.centauroeditora.com.br