“GUERREIROS DE CRISTO” (XIII)
“A perseguição não atingiu da mesma maneira os templários de toda a Europa. Fora de França, a tortura foi menos usada para extrair confissões aos cavaleiros. Por isso, pode supor-se que foi com a honra intacta que alguns deles ingressaram na nova ordem criada por D. Dinis em 1318: a Ordem de Cristo.
Na realidade, não há consenso entre os historiadores sobre a composição da nova confraria: para alguns, os templários portugueses (presentes no país desde os tempos de Hugo de Payns) teriam simplesmente adoptado uma nova designação. De qualquer maneira, a Ordem de Cristo herdou todas as propriedades e fortalezas da sua antecessora, assim como os votos de pobreza, castidade e obediência (ao rei de Portugal, que obviamente sabia o que fazia).
Ao longo do século seguinte, os consideráveis recursos militares e económicos da ordem, que passou a ser comandada pelo Infante D. Henrique, foram direccionados para a expansão marítima portuguesa, que começava a ganhar impulso. A Ordem de Cristo teria soberania sobre os territórios que conquistasse em África e receberia a vintena (cinco por cento) do valor de todos os bens importados das novas terras.
Novas mudanças libertaram os cavaleiros do seu voto de castidade e pobreza, permitindo que nobres como Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama se tornassem membros da Ordem de Cristo. Os navios que reconheceram a costa de África e descobriram o Brasil e o caminho marítimo para a Índia levavam nas suas velas o emblema da confraria, aparentemente uma versão modificada da antiga cruz templária.
Foi no castelo de Tomar, fundado pelo templário Gualdim Pais, que se instalou a sede da Ordem de Cristo.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
