Tomar

Blogue sobre Tomar, a sua história e actualidade

Leonel Vicente
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Archive for the ‘Personalidades’


MEMÓRIAS DE FERNANDO TAMAGNINI

Foi recentemente apresentado na Biblioteca Municipal de Tomar o livro “Memórias do General – Os Meus Três Comandos, de Fernando Tamagnini”, fruto de estudo desenvolvido pela historiadora Isabel Pestana Marques, abordando a participação portuguesa na I Guerra Mundial (1914-1918), assim como as revoltas monárquicas durante a Primeira República.

O General Fernando Tamagnini de Abreu e Silva nasceu em Tomar, tendo comandado o Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial; escreveu em 1924, o texto “Os Meus Três Comandos”, o qual, contudo, permaneceria inédito ao longo dos últimos 80 anos.

FERNANDO LOPES GRAÇA

Passam hoje 10 anos sobre o desaparecimento do compositor de música clássica Fernando Lopes Graça, um dos mais ilustres tomarenses.

A cerimónia evocativa, a decorrer hoje em Matosinhos, será presidida pelo Presidente da República, Jorge Sampaio; António Rosado tocará algumas sonatas do autor.

A data é ainda assinalada com a edição de um álbum duplo, integrando todas as sonatas para piano compostas por Fernando Lopes Graça, interpretadas por António Rosado, incluindo também um texto introdutório de um seu aluno, Sérgio Azevedo.

A propósito da vida de Fernando Lopes Graça, vidé os textos aqui editados no final de Março e início de Abril.

Outra sugestão de leitura, em que se refere também a intervenção social e política de Lopes Graça (nomeadamente a propósito da sua participação na revista “Ler”) é o texto de Pacheco Pereira no seu “blogue” Estudos sobre o comunismo.

INÊS PEDROSA

Jornalista e escritora, nascida em Coimbra, mas tomarense (segundo a própria, não nasceu em Tomar apenas porque não existia na cidade, em 1962, uma maternidade… 40 anos depois, a situação mantém-se!…).

Em entrevista ao “Jornal de Letras”, faz uma breve resenha da sua vida.

A partir de 1980, frequentou a licenciatura de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa.

No início de 1983, seria admitida em “O Jornal”, onde realça o acompanhamento do “mestre” Fernando Dacosta. No ano seguinte, seria convidada por Mega Ferreira para redactora do “Jornal de Letras”, então dirigido por José Carlos de Vasconcelos.

Passaria depois por “O Independente” e pelo “Expresso”, sendo também Directora da revista “Marie Claire” (entre 1993 e 1996), colaborando também na revista “Ler”; teria ainda algumas experiências na Rádio e na Televisão.

Paralelamente, iniciou uma carreira como escritora, tendo publicado os seguintes livros: “Mais Ninguém Tem” (1991), a que se seguiram os primeiros romances: “A Instrução dos Amantes” (1992), em que aborda a fase da adolescência, e “Nas Tuas Mãos” (1997). Publicou ainda “Fotobiografia de José Cardoso Pires”, “20 Mulheres para o Século XX” (2000) e “Poemas de Amor” (antologia de poesia portuguesa - 2001) e, mais recentemente (2002), “Fazes-me Falta”.

JÁCOME RATTON (V)

No parágrafo 45 das suas memórias, Jácome Ratton escreveu sobre a importância do reinado de D. José, e do governo do marquês de Pombal, para o estabelecimento das várias manufacturas existentes na época:

“§ 45. Meios gerais empregados no Governo do Senhor Rei D. José para promover a introdução das Artes fabril em Portugal, e seus bons efeitos.

Os grandes subsídios dados pelo Governo, para a introdução das artes fabris em Portugal, a isenção de direitos sobre as matérias primas vindas de fora, assim como também aqueles de exportação sobre tais Manufacturas, e suas entradas francas nos Domínios do Ultramar, a introdução proibida no Reino de correspondentes manufacturas estrangeiras, e a rigorosa observância das leis repressivas do contrabando têm sido os princípios políticos a que se deveu a diversidade, e multiplicidade de estabelecimentos úteis; por efeito dos quais ficaram no país enormes somas, que antes passavam a nações estrangeiras, com gravíssimo prejuízo de Portugal, de cujas somas se poderá formar juízo comparando a balança do comércio de uns anos com outros, cuja balança se principiou a formar no Reinado da Rainha N. S. Que Deus Guarda à custa do Cofre da Real Junta do Comércio, que seria de muita utilidade publicar-se pela imprensa, para ilustração da parte pensante e instruída da nação principalmente para aqueles que influem no Governo poderem descobrir em um golpe de vista objectos de tanta importância; e até calcular os desastrosos efeitos que poderá produzir o tratado de comércio de Fevereiro de 1810, se se não tomarem em séria consideração, quanto antes, para se lhes obstar por todos os meios possíveis.

O tratado feito por Methuen, e Roque Monteiro Paim, ainda que arruinou muitas artes fabris, que havia no Reino, principalmente aquelas de lanifícios, cujas manufacturas estrangeiras não eram admitidas antes deste tratado, que teve por objecto a admissão dos panos ingleses, em compensação dos vinhos de Portugal pagarem de entrada em Inglaterra uma terça parte menos do que aqueles de França, e isto sem especificar a proporção de direitos de entrada dos ditos lanifícios, nem de outro género algum, tem sido modificado pelo Governo regenerador do Sr. Rei D. José.”

JÁCOME RATTON (IV)

Escreveria no exílio (em 1813) o que se tornaria uma das principais fontes documentais sobre a história económico-social de Portugal na Segunda metade do séc. XVIII: “Recordacoens de Jacome Ratton, fidalgo cavalleiro da Caza Real, cavalleiro da ordem de Christo, ex-negociante da praça de Lisboa, e deputado do tribunal supremo da Real Junta do Commercio, Agricultura, Fabricas e Navegação. Sobre occurrencias do seu tempo, em Portugal, durante o lapso de sessenta e tres annos e meio, aliás de maio de 1747 a setembro de 1810, que rezidio em Lisboa: acompanhadas de algumas subsequentes reflexoens suas, para informaçoens de seus proprios filhos. Com documentos no fim. Londres. Impresso por H. Bryer, Bridge Street, Blackfriars, 1813″.

Ainda em 1816, publicaria no “Investigador portuguez” um artigo “Pensamentos patrioticos. Imperio luso”.

Industrial e negociante da praça de Lisboa; deputado do tribunal supremo da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação; fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da ordem de Cristo, Jácome Ratton terminaria a vida em Lisboa cerca de 1821 ou 1822.

Em 1884, seria fundada em Tomar a Escola Jácome Ratton, a qual passaria a designar-se, em 1925, “Escola Industrial e Comercial de Jácome Ratton” (funcionando na Av. Cândido Madureira, actuais instalações do Instituto Politécnico de Tomar); em 1958, passaria para as actuais instalações na Av. Maria II.

Em 1979, adoptaria a actual denominação de “Escola Secundária Jácome Ratton”, tendo comemorado, no passado dia 17 de Maio, 120 anos.

Dispõe actualmente de 850 alunos, com cursos gerais vocacionados para a continuação dos estudos, mas também cursos tecnológicos, orientados para a integração na vida activa.

JÁCOME RATTON (III)

A Fábrica de Fiação de Tomar seria, ao longo de cerca de 2 séculos, uma das principais âncoras da cidade, dando emprego a famílias inteiras, assumindo um papel decisivo na economia local.

Após longo período de “agonia”, de mais de duas décadas, a Fábrica entraria em processo de falência.

Em 1802, devido ao valioso contributo prestado à Indústria Nacional, Jácome Ratton recebe o foro de Fidalgo da Casa Real, após ter sido já distinguido com a designação de Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Porém, na sequência da invasão francesa de 1807, por Junot, o facto de ser de origem francesa e as suas ideias progressistas levaram a que fosse indiciado de tendências jacobinas, sendo acusado de colaboracionista, vindo a ser uma das vítimas da “Setembrizada”; em 1810, já entretanto demitido do cargo de deputado da Junta do Comércio, seria, na noite de 10 para 11 de Setembro, preso na Torre de S. Julião, e transportado para a ilha Terceira, vindo a conseguir exilar-se voluntariamente em Inglaterra, de onde regressaria apenas em 1816.

JÁCOME RATTON (II)

Torna-se entretanto, em 1788, deputado do Tribunal Supremo da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábrica e Navegação, cargo que lhe permite incentivar as manufacturas, subsidiadas pela referida Real Junta de Comércio.

Duas fábricas dirigidas por estrangeiros haviam-se estabelecido em Tomar em 1771 (uma de caixas de papelão, outra de meias de estambre); ameaçando falência a fábrica de meias, Jácome Ratton procurou recuperá-la.

Em 1789, associando-se ao francês Timotheo Lecussan Verdier, funda a Fábrica de fiação de algodões de Tomar – a primeira em Portugal a utilizar a “moderna” tecnologia da Revolução Industrial (Ratton foi o primeiro defensor da utilização da máquina a vapor) –, beneficiando das potencialidades da região do Nabão no que respeita a recursos hídricos e proximidade da capital.

“O desenvolvimento da riqueza colonial mais recente - o algodão, provocou, por parte do Estado, um interesse pela indústria que o consumia - a têxtil. A montagem de oficinas e manufacturas de algodão era feita, em cidades ou povoações para onde era fácil transportar a mercadoria importada do Brasil, assim como porque dispunham da fonte de energia principal usada na Indústria: a água. De entre essas povoações, citam-se as principais onde foram instaladas manufacturas e oficinas de fiação e tecelagem de algodão: Lisboa, Oeiras, Sacavém, Tomar…” - in “A situação Económica no tempo de Pombal” de J. Borges de Macedo

JÁCOME RATTON (I)

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Jácome Ratton nasceu a 7 de Julho de 1736 em França, na cidade de Monestier de Briançon, vindo ainda jovem para Portugal, acompanhando os pais, Jacques Jácome Ratton e Françoise Bellon.

Os progenitores estabelecer-se-iam como comerciantes (importadores – exportadores), inicialmente no Porto (em sociedade com Jácome Bellon, tio de Jácome Ratton, o qual havia já estabelecido uma casa de comércio no Porto).

Pouco depois, viriam a alargar a sua actividade a Lisboa, onde se fixaram em 1747 (operando como agentes marítimos de grande número de casas francesas, inglesas e holandesas), altura em que o filho chegou a Portugal, aqui completando a sua educação, orientada no sentido do comércio.

Casou em 1758 com Ana Isabel Clamouse, filha do cônsul francês no Porto, Bernardo Clamouse.

Optaria pela nacionalidade portuguesa na sequência da participação portuguesa na Guerra dos Sete Anos (1762).

Em 1764, começou por projectar uma fábrica de chitas, logo seguida de uma fábrica de papel e de fábricas de chapéus finos (em Elvas e em Lisboa), diversificando as suas actividades, inclusivamente com a exploração de marinhas de sal na Barroca de Alva (Alcochete) e plantação de árvores exóticas (introduzindo em Portugal o eucalipto), associando-se ao período de fomento industrial pombalino.

JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA DOA COLECCÃO DE ARTE A TOMAR

É assinado hoje o contrato de doação pelo qual o Museu José-Augusto França doa colecção de arte ao Núcleo de Arte Contemporânea do Museu Municipal de Tomar, o qual será inaugurado a 9 de Maio.

“O Núcleo de Arte Contemporânea do Museu Municipal de Tomar vai ser inaugurado em 9 de Maio. O novo museu, localizado na Rua Gil Avô, junto aos Correios, passa a integrar a exposição permanente da colecção doada por José-Augusto França à cidade onde nasceu. A assinatura do respectivo contrato de doação está marcada para amanhã.

A cerimónia de abertura do novo espaço, que surge já ligado à Rede Portuguesa de Museus, contará com a presença do presidente da República e do próprio José-Augusto França. O fundo do núcleo museográfico integra uma centena de obras de artistas portugueses do século XX português.

A parte mais signficativa da colecção está ligada ao Grupo Surrealista de Lisboa, de que o próprio José-Augusto França fez parte. A doação feita ao município de Tomar é, à sua maneira, única no país”pela qualidade da sua origem e pela sua coerência e gosto pessoal, com responsabilidade crítica, no quadro da criação artística nacional dos anos 1940 a 1970, sobretudo”, como refere o roteiro expositivo.

Aquele que é provavelmente um dos melhores desenhos de Mário Eloy, datado de 1932, é o mais antigo trabalho apresentado, enquanto que os mais recentes são os que foram expressamente criadas para o museu e amistosamente oferecidas pelo pintor e escultor José de Guimarães e pelo pintor Eduardo Nery. O primeiro concebeu uma escultura em inox e néon, intitulada “Árvore azul” e o segundo um painel de azulejos com o título “Modelação luminosa X”.

A exposição desenvolve-se ao longo dos três andares do edificío. Podem ser vistos trabalhos de artistas como Almada Negreiros, Bernardo Marques, Fernando Lemos ou António Dacosta. Também está representado o grupo KWY.”

(Artigo no Jornal de Notícias de ontem).

P. S. Obrigado ao c. a. p. (é por gestos destes que “vale a pena” fazer parte da “blogosfera”!).

GUALDIM PAIS (II)

Como recompensa pelo apoio dos Templários na conquista de Santarém (em 1147), D. Afonso Henriques doaria ao seu Mestre, Gualdim Pais, no ano de 1959, o Castelo de Cera (actual Ceras).

Dado o seu mau estado de conservação, Gualdim Pais decidiu-se pela construção de um novo Castelo, iniciando-se, em 1160, a construção do Castelo de Tomar, onde seria estabelecida, dois anos depois, a sede da Ordem dos Templários.

Viria a fundar também os Castelos de Pombal (1161), Almourol, Idanha e Monsanto.

Entre 1169 e 1184, manteve-se ao serviço de D. Afonso Henriques, comandando diversos ataques aos Mouros, conquistando novas terras.

Em 1190, um rei Mouro atravessou o Tejo e tomou Torres Novas, cercando Tomar. Apesar de já com mais de 70 anos, Gualdim Pais teria ainda um papel predominante na defesa do Castelo e no rechaçar do adversário, que conseguira entretanto chegar até Pombal.

Desde Outubro de 1195, repousa na Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar.

Adaptado de: “Os 800 anos da Morte de Gualdim Pais”, de Albertino Ferreira, in “Correio de Pombal”