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Blogue sobre Tomar, a sua história e actualidade

Leonel Vicente
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Archive for the ‘Personalidades’


JOÃO MOTA

A propósito do Dia Mundial do Teatro, o actor, pedagogo e encenador João Mota - natural de Tomar (22.10.1942), com uma carreira artística de 50 anos! - foi ontem homenageado pela Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa (escola em que foi professor durante 30 anos, de 1972 a 2002), estando também patente uma exposição de fotografia, alusiva aos momentos mais significativos da sua carreira (exposição itinerante, devendo passar para a Comuna a partir de 1 de Maio).

Tendo começado por fazer teatro em programas infantis da Emissora Nacional, iniciou efectivamente a sua carreira de actor em 1957, na peça de teatro “Mar”, de Miguel Torga, na RTP, integrando também o elenco do Teatro Nacional, onde contracenou com Palmira Bastos e Amélia Rey Colaço.

Participou também em alguns filmes nos anos 60 e 70, dedicando-se então ao teatro. Depois de uma estadia em Paris, criou (em 1971) o Teatro Laboratório de Lisboa -”Os Bonecreiros” (juntamente com Glicínia Quartim, Mário Jacques e Fernanda Alves), orientado para espectáculos para a juventude, estreando-se então como encenador; fundando em 1972 a Comuna - Teatro de Pesquisa (com Manuela de Freitas, Carlos Paulo, Melim Teixeira e Francisco Pestana), companhia independente de teatro de que é Director.

Em paralelo, João Mota deu corpo a outro projecto, que mantém, a “Casa da Criança”, visando apoiar crianças de zonas socialmente desfavorecidas.

Em Tomar, a Associação de Cultura Canto Firme distinguiu também João Mota, atribuindo-lhe recentemente o nome de uma sala na sua sede, apropriadamente ocupada pela “oficina de teatro”.

LOPES-GRAÇA - CD’S, “SITE” E “WEB RADIO”

Ainda no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, a Antena 2 lançou uma caixa com 10 CD’s com peças do compositor, extraídas do arquivo da RDP, compreendendo ainda um documentário de António Cartaxo e uma entrevista radiofónica realizada por Igrejas Caeiro em 1957.

Entretanto, o Ministério da Cultura criou também um site, com uma “web radio“, em que é possível ouvir obras de Lopes-Graça.

FERNANDO LOPES-GRAÇA – 100 ANOS

Fernando Lopes-GraçaNo dia em que se comemora o centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, é hoje inaugurado em Tomar o monumento evocativo do que foi um dos nomes maiores da cultura portuguesa do século XX, um “Grande Português“.

O programa de comemorações do dia de hoje compreende, entre outras, os seguintes eventos:

- Pelas 15h30, no antigo Cine-Esplanada, junto ao Estádio Municipal, inauguração do monumento a Fernando Lopes-Graça e ao seu amigo Fernando de Araújo Ferreira (”Nini Ferreira” – outra figura de relevo tomarense).

- A partir das 17 horas, no Cine-Teatro Paraíso, inauguração de uma exposição de trabalhos escolares, a pretexto da digressão pelas escolas do 1.º ciclo do ensino básico da exposição “De pequenino se fala do Graça”.

- De seguida, apresentação e lançamento de várias obras: (i) “A construção de uma identidade – Tomar na vida e obra de Lopes-Graça”, de António Sousa; (ii) reedição de uma das mais procuradas obras de Lopes-Graça, “Reflexões sobre a música”; (iii) “Fernando Lopes-Graça”, de Ricardo Cabrita, banda desenhada, cujo lançamento em livro deverá ocorrer a 1 de Março; (iv) partitura “Tomar”, com poemas de Nini Ferreira, musicados pelo compositor, lançada pela Canto Firme.

- A partir das 21h30, também no Cine-Teatro, decorre um grande concerto comemorativo, o ”Concerto do Centenário”, com o pianista Miguel Henriques e a Orquestra Clássica de Espinho, com destaque para a primeira audição do “Concerto para Piano e Orquestra n.º 2” de Fernando Lopes-Graça.

As comemorações do centenário de Lopes-Graça prolongar-se-ão com o “Prémio Lopes-Graça de Composição” (concurso aberto a obras para quatro vozes mistas sobre texto ou canção popular portuguesa, que deverão ser entregues até dia 2 de Janeiro de 2007), o qual será anunciado a 1 de Março e atribuído na Festa dos Tabuleiros, em Julho de 2007.

Prosseguirão ainda as obras de recuperação da casa onde nasceu o compositor, na qual será criada a “Casa Memória”.

“GRANDES TOMARENSES”

- Gualdim Pais

- Infante D. Henrique

- Raúl Lopes

- General Fernando de Oliveira

- Manuel Mendes Godinho

- Fernando Ferreira

- Fernando Lopes-Graça

São apenas alguns dos nomes evocados por um jornal de Tomar como “Grandes Tomarenses”.

CENTENÁRIO DE FERNANDO LOPES-GRAÇA

Aproximando-se o centenário de Fernando Lopes-Graça, multiplicam-se as iniciativas evocativas da data, nomeadamente aquelas organizadas pela “Canto Firme”.

No mês de Novembro, estão previstos os seguintes eventos:

- De 3 a 05.11.06 – VIII curso de interpretação de música portuguesa para piano e conjuntos instrumentais, dirigido por Olga Prats, aberto ao público, no Auditório Lopes-Graça

- 11.11.06 – Audição com alunos da Escola de Música Canto Firme, também no Auditório Lopes-Graça (18h)

- 18.11.06 – Concerto para guitarra e flauta, com Paulo Amorim e João Pereira Coutinho, no Auditório da Biblioteca Municipal (18h)

- 25.11.06 – Concerto organizado com alunos do Conservatório Nacional, interpretando o repertório de Lopes-Graça, no Auditório Lopes-Graça (18h)

Em Dezembro, a agenda prevista é a seguinte:

- 01.12.06 – Quarteto de S. Roque, apresentando as integrais para quarteto de cordas, incluindo as “14 Anotações”, no Auditório da Biblioteca Municipal (18h)

- 02.12.06 – Concerto de Miguel Borges Coelho, no Cine-Teatro de Tomar (18h)

- 08.12.06 – “Opus Ensemble” interpreta obras expressamente escritas por Fernando Lopes-Graça, também no Cine-Teatro (18h)

- 17.12.06 – Concerto de música sinfónica e obras para piano e orquestra, com a Orquestra Clássica de Espinho, dirigida por Cesário Costa, com o pianista Miguel Henriques, ainda no Cine-Teatro de Tomar (18h), destacando-se a interpretação do “Scherzo Heróico” para Orquestra.

Os bilhetes encontram-se disponíveis na Canto Firme de Tomar e na Divisão de Animação Cultural da C. M. Tomar.

“OS GRANDES PORTUGUESES” - FERNANDO LOPES-GRAÇA

Fernando Lopes-Graça - Compositor - 1906-1994

“Fernando Lopes-Graça deu um inestimável contributo na democratização do acesso à música e no estudo da música portuguesa. Desdobrou-se por múltiplas actividades: pianista, compositor, pedagogo, crítico e ensaísta. Organizou inúmeros eventos musicais. Activo opositor ao regime salazarista, só no fim do Estado Novo é que teve um efectivo reconhecimento oficial, que se traduziu em inúmeras homenagens e encomendas. Mesmo assim, nos anos de 1940, 1942, 1944 e 1952 ganhou os prémios de Composição do Círculo de Cultura Musical.

Apesar do seu inequívoco e activo envolvimento político, Fernando Lopes-Graça disse que não se enquadrava nas categorias de “compositor político” ou “político compositor”. Fê-lo numa entrevista que concedeu em 1986, no ano do seu 80.º aniversário, com a distância crítica que o fim do regime do Estado Novo já lhe proporcionava. Este pianista, compositor, pedagogo, crítico, ensaísta, organizador de eventos musicais e estudioso da música tradicional portuguesa, acreditava na enorme importância da arte e cultura na construção da sociedade e no progresso da Humanidade. A premissa estética modernista de que partiu foi inscrita por uma acutilante consciência social, que coincidiu com os primeiros anos do Estado Novo.

A sua posição política ficou mais definida e consistente. Tornou-se militante do Partido Comunista Português por volta de 1944, integrando em 1945 o MUD (Movimento de Unidade Democrática).

A obra de Lopes-Graça é o resultado da confluência e relação de três aspectos centrais no seu percurso: influência das correntes modernistas, recuperação da tradição e envolvimento político. O que o leva a procurar o Portugal real e não o país harmonioso que era então vendido pela propaganda do Estado Novo. O foco do seu trabalho de criação musical é a vida, o homem, a sociedade nas suas efectivas e reais existências. As práticas artísticas e sociais interpenetram-se, não são duas realidades distintas sem qualquer relação uma com a outra. E o artista é parte integrante do corpo social.

A postura politizada começa logo por ter consequências no facto de Lopes-Graça não poder ter uma influência marcante no ensino que se faz nas escolas públicas, depois de concluir o Conservatório Nacional de Lisboa, onde estudou entre 1924 e 1931. Duas detenções, por motivos políticos, impedem-no de ensinar nestas escolas, mesmo depois de ter conseguido uma vaga como professor de piano no Conservatório. Em 1954, vê esta proibição estender-se às instituições privadas. É, portanto, a inesgotável produção ensaística e a constante presença na imprensa como crítico, por mais de 40 anos, que o tornam incontornável na pedagogia musical que foi teorizada e praticada durante o Estado Novo.

Para este trabalho, foram importantes os dois anos que esteve em Paris, de 1937 a 1939, a frequentar o curso de Musicologia da Sorbonne. Em 1942 obtém o prémio do Círculo de Cultura Musical com “História Trágico-Marítima”, com poema de Miguel Torga.

No fim dos anos 50 colabora com o investigador Michel Giacometti na recolha da música regional e tradicional portuguesa: canções de berço, toadas ao redor da morte, cantigas de noivado e casamento, cantos de trabalho, cantigas e danças para as festas e arraiais e canções de bem-querer e maldizer. Recolha que dará origem ao primeiro volume de “Antologia de Música Regional Portuguesa”.

A obra de Lopes-Graça, ao falar da essência do ser português, fala também do ser humano, dos momentos de felicidade e tragédia. Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, quando é finalmente reconhecido pelo Estado, compõe, em 1979, “Requiem pelas Vítimas do Fascismo em Portugal”. O sofrimento de uns é o sofrimento de outros.”

P. S. A propósito, no próximo Sábado, pelas 21h30, Cristina Brito da Cruz, Miguel Oliveira e Silva e Sérgio Azevedo reunem-se para falar sobre Lopes-Graça no Auditório Conde de Ferreira, em Sesimbra.

SELO DE FERNANDO LOPES-GRAÇA

Foi lançada na passada semana pelos CTT - Correios de Portugal uma emissão comemorativa de selos, evocando o centenário do nascimento de alguns “vultos da história da cultura portuguesa”, compreendendo 5 selos, com o valor facial de 1 euro, referentes a: Fernando Lopes-Graça, Rómulo de Carvalho, Agostinho da Silva, Humberto Delgado e Thomás José de Mello (Tom).

MARIA DO CÉU ELIAS

Maria do Céu Simões, de 66 anos - mais conhecida como Céu Elias - é a cozinheira do famoso restaurante tomarense “Chico Elias”, recentemente distinguida como integrando a relação dos 10 melhores cozinheiros em Portugal, pela revista “24 Horas”.

O júri do concurso, constituído por David Lopes Ramos, Filipa Vacondeus, Francisco José Viegas, Helena Sacadura Cabral, José Nogueira Gil e Manuel Luís Goucha, estabeleceu o seguinte posicionamento:

1º Miguel Castro e Silva (Bull & Bear - Porto)
2º Alice Marto (Tia Alice - Fátima)
3º Vítor Sobral (Terreiro do Paço - Lisboa)
4º Aimé Barroyer (Pestana Palace - Lisboa)
5º Júlia Vinagre (Bolota Castanha - Terrugem)
6º Fausto Airoldi (Bica do Sapato - Lisboa)
7º Augusto Gemelli (A Galeria Gemelli - Lisboa)
8º Francisco Meirelles (Sessenta Setenta - Porto)
9º Maria do Céu Elias (Chico Elias - Tomar)
10º Pedro Nunes (S. Gião - Moreira de Cónegos)

JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA

José-Augusto França nasceu em Tomar em Novembro de 1922. Fez estudos em Lisboa e em Paris, em cuja universidade se doutorou em História e em Letras e onde foi professor Associado.

É catedrático jubilado (de História da Arte) da Universidade Nova de Lisboa. Foi presidente da Academia Nacional de Belas-Artes e do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.

Presidente de honra da Association Internacionale des Critiques d’Art, vice-presidente da Académie Européenne, membro honorário do Comité Internacional d’Histoire de l’Art e membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

Dirigiu o Centro Cultural de Paris da Fundação C. Gulbenkian e a revista Colóquio/Artes desta instituição.

Em 1992 recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública e a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa.

Desde 1949 publicou numerosas obras em Portugal e em França: Lisboa Pombalina, O Romantismo em Portugal, Os Anos 20 em Portugal, A Arte em Portugal no Século XIX, A Arte em Portugal no Século XX, História da Arte Ocidental, 1780-1980, entre outros.

INÊS PEDROSA

Há cerca de um ano (já!?…), aqui escrevi uma breve nota sobre a escritora Inês Pedrosa.

Transcrevo hoje o inspirado comentário de um visitante deste “blogue”:

“INÊS PEDROSA

Fazem-me falta os teus escritos assim que os leio. Essa força das palavras é prodigiosa, consegues despoletar em mim novas sensações, cumplicidades de inquietação e o desejo perdido de me encontrar cada vez mais, no teu encontro literário e na desarrumação das gavetas cheias de palavras. Inês Pedrosa! A realidade é a força, derruba as convenções e invade os espaços individuais. Desta vez invadiste o meu… reconheço-te como uma grande escritora, porque as palavras ardem num diálogo póstumo, sem fronteiras.

A fronteira do pensamento é a morte, tu és imortal! Derrubas todos os muros, os muros da existência e numa folha escreves o meu desassossego, talvez o teu e tantos outros desta existência.

Neste local transitório, Inês, levo-te o conceito e a linguagem, ainda que nesta apatia me redima aos espelhos da resistência, num gesto apaziguador. Este é o meu nome, o consumo da realidade, em posteriores desejos, ainda que em dúvida permanente… assim, nesta simples homenagem de condição de génio que és, curvo-me para que todas as letras possam passar! Desculpa dizer-te isto, mas é urgente. Não me perguntes o porquê, apenas o estranho assiste a este desfile de partilhar contigo o que sinto, as minhas palavras.

No fogo da leitura, leio os teus escritos, estes e aqueles e digo: Falta me fazes! Que bom ler e reflectir sobre aquilo que escreves. Não entenderás, mas também não é para entender… gosto da tua escrita e nisto de dizer, diz-se… tu também dizes e continuarás a dizer nisso que escreves, nos teus romances, nesses e noutros escritos… as tuas crónicas. Parabéns! O teu rosto evoca outro sentido, entre tantos sentidos… Não é preciso agradecer, mas gosto das tuas conversas, do teu espírito filosófico que mais ninguém tem, entenda-se que és única, nisso que te faz ser o que aquilo que és.
Entre dedos surgem outros dedos, a cumplicidade literária, o imperdoável onde se naufraga numa intimidade furtada, num incêndio sem lugar, mas de todos os lugares.

Não posso mentir-te, desculpa dizer-te, ainda que não gostes, és uma grande escritora, do tamanho que tens, esse mesmo, tu és o padrão daquilo que és, cheia de atmosferas de todos os tempos… nesta infinidade de emoções que consegues fazer emergir e que guardas em ti, enquanto atenta observadora da sociedade. Inês, são os teus esporos…! Guardo o teu livro, na alma e advoga o Sol em minha protecção, com a promessa e o reflexo da duração que o teu nome concebeu, desde aquele dia.”

Jorge Ferro Rosa

MEMÓRIAS DE FERNANDO TAMAGNINI

Foi recentemente apresentado na Biblioteca Municipal de Tomar o livro “Memórias do General – Os Meus Três Comandos, de Fernando Tamagnini”, fruto de estudo desenvolvido pela historiadora Isabel Pestana Marques, abordando a participação portuguesa na I Guerra Mundial (1914-1918), assim como as revoltas monárquicas durante a Primeira República.

O General Fernando Tamagnini de Abreu e Silva nasceu em Tomar, tendo comandado o Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial; escreveu em 1924, o texto “Os Meus Três Comandos”, o qual, contudo, permaneceria inédito ao longo dos últimos 80 anos.

FERNANDO LOPES GRAÇA

Passam hoje 10 anos sobre o desaparecimento do compositor de música clássica Fernando Lopes Graça, um dos mais ilustres tomarenses.

A cerimónia evocativa, a decorrer hoje em Matosinhos, será presidida pelo Presidente da República, Jorge Sampaio; António Rosado tocará algumas sonatas do autor.

A data é ainda assinalada com a edição de um álbum duplo, integrando todas as sonatas para piano compostas por Fernando Lopes Graça, interpretadas por António Rosado, incluindo também um texto introdutório de um seu aluno, Sérgio Azevedo.

A propósito da vida de Fernando Lopes Graça, vidé os textos aqui editados no final de Março e início de Abril.

Outra sugestão de leitura, em que se refere também a intervenção social e política de Lopes Graça (nomeadamente a propósito da sua participação na revista “Ler”) é o texto de Pacheco Pereira no seu “blogue” Estudos sobre o comunismo.