“O CODEX 632″ (III)
“O carro chegou a uma pequena bifurcação, ornada com uma estátua do infante D. Henrique ao centro, virou à direita e abandonou as artérias da cidade, mergulhando nos caminhos verdes e ascendentes da Mata dos Sete Montes, a estrada que serpenteava pela encosta, à sombra das alamedas viçosas, em direcção às velhas muralhas.
«Então deixe-me contar-lhe a história desde o princípio», propôs o conde Vilarigues. «Quando os muçulmanos vedaram aos cristãos o acesso à cidade santa de Jerusalém, soou um grito de revolta por toda a Europa e foram lançadas as cruzadas. Jerusalém foi conquistada em 1099 e a cristandade impôs-se na Terra Santa. O problema é que, com o regresso de muitos cruzados à Europa, as deslocações dos peregrinos cristãos a Jerusalém tornaram-se muito perigosas, não havia ninguém para os defender. Foi nessa altura que apareceram duas novas ordens militares. A Ordem dos Hospitalários, vocacionada para ajudar os doentes e os feridos, e uma milícia criada por apenas nove cavaleiros e que se pôs a patrulhar as rotas usadas pelos peregrinos. Embora fossem apenas nove, estes homens conseguiram, de facto, tornar os caminhos muito mais seguros. Em recompensa, foi-lhes oferecida, como pouso permanente, a Mesquita de Al Aqsa, situada no topo do Monte Moriah, em Jerusalém, justamente o sítio onde antes se ergueu o lendário Templo de Salomão. Nasceu assim a Ordem dos Cavaleiros do Templo de Salomão.» Fez uma pausa. «Os templários.»
«História mil vezes contada.»”
“O Códex 632″, José Rodrigues dos Santos, pp. 434, 435


