“GUERREIROS DE CRISTO” (XI)
“Praticamente nenhum historiador vê traços de verdade nessas histórias. Há quem suponha que o tal Baphomet fosse, na realidade, a relíquia de um santo, ou que a negação de Cristo fizesse parte das técnicas templárias para escapar com vida das prisões muçulmanas, fingindo ter-se convertido, mas a história da ordem não parece apoiar essas especulações.
A verdade é que até o papa Clemente V criticou as prisões arbitrárias. Foi aberto um processo papal para averiguar as acusações; muitos templários tinham confessado a sua culpa, sob tortura, mas depois voltaram atrás perante os enviados de Clemente.
A intenção era corajosa, mas resultou na morte de 54 membros da ordem: segundo as regras da Inquisição, hereges confessos que voltassem atrás deveriam ser imediatamente executados. Jacques de Molay, que era analfabeto e pelos vistos pouco inteligente, disse que não tinha estudos suficientes para ser o advogado da ordem e ficou à espera de que o papa o salvasse.
A investigação papal em toda a Europa encontrou pouquíssimas provas de heresia, mas a pressão de Filipe continuava e Clemente V acabou por concordar com a dissolução da ordem, em 1311. O rei conseguiu alguns bens dos templários, mas de forma clandestina: a decisão do papa foi legá-los aos hospitalários, enquanto os ex-cavaleiros entravam para mosteiros de outras ordens ou se tornavam mercenários.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
