“GUERREIROS DE CRISTO” (VIII)
“O motivo para a guerra total surgiu quando uma força liderada pelo filho de Saladino pediu autorização para atravessar pacificamente a Galileia e o senhor da região, Raimundo de Tripoli, a concedeu. No entanto, quando tomou conhecimento do acordo, o grão-mestre templário, Gérard de Ridefort, resolveu emboscar os muçulmanos.
O chefe dos hospitalários e o vice-grão-mestre templário, o marechal Jacques de Mailly, tentaram levá-lo a desistir, porque o exército muçulmano era grande, mas Ridefort acusou-os de cobardia e provocou Mailly: “Amais demasiado a vossa cabeça loura para querer perdê-la.” Após o que partiu para o ataque, acompanhado por apenas 90 cavaleiros.
Se havia ali cobardes, não era por certo Jacques de Mailly, que morreu nesse mesmo dia no campo de batalha. Quanto a Ridefort, fugiu quando se apercebeu da derrota, enquanto o furioso Saladino reunia todas as suas forças para atacar o reino. A batalha decisiva varreu do mapa o exército cristão.
Saladino poupou o rei e o grão-mestre dos templários, mas não os restantes monges. Ao amanhecer, 230 cavaleiros do Templo foram decapitados. No dia 2 de Outubro de 1187, Saladino entrou triunfalmente em Jerusalém.
Ainda não era o fim. Os cristãos mantiveram algumas praças no litoral da Palestina e foram reconquistando o território, chegando até a retomar Jerusalém durante algum tempo. Ao longo do século XIII, porém, as forças tornaram-se dependentes da ida constante de cruzados da Europa e da desorganização dos muçulmanos.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
