“GUERREIROS DE CRISTO” (VII)
“A prosperidade da ordem levou os templários a afastarem-se da missão inicial de proteger os peregrinos. Ao lado dos hospitalários, os cavaleiros do Templo tornaram-se a espinha dorsal do exército do Reino de Jerusalém. No Ocidente, a ordem tornou-se protótipo dos bancos actuais, emprestando os seus consideráveis bens a juros.
A situação da ordem atraiu críticas. Era estranho que pessoas que se autodenominavam “pobres cavaleiros de Cristo” possuíssem nove mil propriedades na Europa e na Palestina. Por outro lado, os soberanos de Jerusalém, quando perceberam que tinham de negociar com os muçulmanos se quisessem permanecer na região, queixavam-se da desobediência e do fanatismo dos templários.
“Intolerantes? Com certeza, embora também estivessem dispostos a lutar ao lado dos muçulmanos, se um perigo maior estivesse presente. Teimosos? Sim, e eram famosos por isso. Temerários? Muitos outros cavaleiros o eram. As pessoas da época, incluindo os muçulmanos, chamavam-lhe bravura”, diz Knox.
A verdade é que as supostas faltas de carácter dos templários não foram muito graves enquanto o Reino de Jerusalém se foi aguentando. Porém, a situação alterou-se ao longo da década de 1170, com a chegada ao poder do líder muçulmano Saladino, que conseguiu controlar a Síria e o Egipto, deixando as terras cruzadas, na prática, cercadas por um único império.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
