“GUERREIROS DE CRISTO” (VI)
“A paranóia em relação ao sexo feminino é típica da Idade Média, mas a regra templária era especialmente pesada: “A companhia de mulheres é uma coisa perigosa, pois através dela o velho Diabo tem desviado muitos do recto caminho do paraíso.” E especificava-se as mulheres que não se devia beijar: “Viúva, jovem, mãe, irmã, tia ou outra qualquer.”
Os dormitórios tinham de estar sempre iluminados, de dia ou de noite, e era preciso dormir vestido e calçado, supostamente para que os cavaleiros estivessem sempre prontos para entrar em acção. Porém, isso também impedia que eles, digamos, resolvessem contornar a falta de mulheres com o barbudo do lado.
No campo de batalha, os templários eram sempre os primeiros a avançar e os últimos a recuar, e a ordem normalmente não pagava resgate caso um dos seus homens fosse capturado. Na prática, isso significava, quase sempre, uma sentença de morte para o cavaleiro aprisionado.
As punições para quem violasse a regra eram severas: ser açoitado, posto a ferros ou obrigado a comer do chão, como os cães. Os pormenores da vida da ordem não podiam ser comentados fora do mosteiro: os templários gostavam de manter segredo sobre os seus planos, o que permitiu, mais tarde, que os seus inimigos afirmassem que praticavam rituais sinistros ou imorais.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
