“GUERREIROS DE CRISTO” (V)
““A partir de 1150, a evolução dos templários é clara”, diz Knox. Para o historiador, a ordem tinha uma grande vantagem na confusão da Terra Santa: ao contrário do que acontecia com as grandes famílias de nobres, a morte individual de membros ou herdeiros não a destruía, e as batalhas vencidas não acrescentavam a reputação de um único membro, mas de toda a confraria.
Vantagens, aliás, partilhadas pelo outro grupo de monges-guerreiros da época, os hospitalários, com os quais os templários tinham de conviver na Palestina e no Ocidente. Os hospitalários surgiram algumas décadas antes do Templo e os seus objectivos iniciais eram, como o nome indica, dar assistência médica e espiritual aos peregrinos que chegavam a Jerusalém. Com o problema da insegurança, porém, passaram a oferecer também outro serviço: a escolta pelos caminhos da Palestina. Tal como os templários, foram ganhando o controlo de fortalezas e castelos. Não por acaso, as duas ordens foram rivais e chegaram a enfrentar-se.
O dia-a-dia dos templários, a julgar pela sua regra, não era muito diferente do de qualquer outro monge. As normas eram duras. Havia dezenas de orações a pronunciar diariamente e datas semanais e anuais de abstinência de carne ou jejum total. Era proibido fazer a barba, caçar (excepto leões), possuir mais de três cavalos (o grão-mestre podia ter quatro) e, principalmente, ter qualquer contacto com mulheres.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
