“GUERREIROS DE CRISTO” (IX)
“O reino foi-se tornando cada vez mais reduzido e transferiu a sua capital para a cidade de Acre, sobre a qual recaiu o ataque decisivo muçulmano, em 1291. A bravura da ordem revelou-se como nunca: o próprio grão-mestre, Guilherme de Beaujeu, morreu em combate. Quando os cristãos evacuaram a Terra Santa, a última fortaleza a resistir, durante cerca de 12 anos, era templária e ficava na ilha de Ruad, mas também essa teve de ser abandonada.
Um desastre como a perda da Terra Santa costuma ser a deixa para procurar bodes expiatórios, e boa parte dos dedos da Europa puseram-se a apontar para os templários e os hospitalários. A falta de obediência, a rivalidade entre as duas ordens e até uma suposta falta de coragem foram duramente criticadas; muitos intelectuais e religiosos propunham que elas fossem fundidas ou dissolvidas e que se criasse uma nova ordem.
Os templários, liderados por um novo grão-mestre, Jacques de Molay, resistiram a essas medidas. Durante algum tempo, o próprio papa esteve do lado deles, ajudando-os mesmo a arrecadar novos fundos para financiar a Cruzada no Oriente.
Na época, França era o reino mais poderoso da Europa, e o seu rei, Filipe, o Belo, tinha os seus próprios planos para o papado e os templários. A sua influência sobre a Igreja levou à eleição do papa francês Clemente V, em 1305. Clemente nem chegou a ir para Roma, passando todo o seu pontificado em França. Ficou claro que Filipe o pressionava para garantir os seus interesses.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
