“GUERREIROS DE CRISTO” (IV)
“O monge era, provavelmente, o intelectual mais influente da Europa do seu tempo, capaz de convencer papas e imperadores, e também um místico apaixonado. Em poucas palavras: um carro de assalto. “O que Bernardo atacasse estava votado ao fracasso; o que ele aprovasse florescia”, diz Edward Burman, da Universidade de Leeds (Reino Unido), no seu livro Templários – Os Cavaleiros de Deus. Bernardo conseguiu a bênção oficial do papa para a ordem, e elaborou para ela uma regra, indispensável para qualquer comunidade religiosa da época.
Ainda havia gente dentro da Igreja que não era exactamente fã da ideia de andarem monges a matar em nome da fé. O futuro santo escreveu então uma carta em que justificava, com toda a elegância teológica, a guerra em defesa de Jesus. “O soldado de Cristo é o instrumento de Deus para a punição dos malfeitores e para a defesa dos justos. Na verdade, quando ele mata malfeitores, não se trata de homicídio, mas de malicídio”, escreveu Bernardo no Livro para os Soldados do Templo – Do Louvor do Novo Exército.
Para tornar completo o sucesso da missão de Hugo, nobres europeus de vários países doaram inúmeras terras e rendas aos templários. A ordem tornou-se uma instituição verdadeiramente internacional, e a única autoridade que realmente estava acima do grão-mestre era o papa.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
