“GUERREIROS DE CRISTO” (III)
“Difícil é saber o que seria o tal segredo, porque cada adepto da conspiração tem uma teoria preferida. Alguns falam das relíquias sagradas do templo judaico; outros, do Santo Graal. Há quem afirme que se tratava da própria cabeça embalsamada de Jesus Cristo, prova de que ele não tinha ressuscitado nem era divino. Os mais modestos sugerem que as ruínas do templo deram à ordem conhecimentos secretos sobre a natureza mística da arquitectura, como forma de criar espaços sagrados e de comunicar com Deus. Mais tarde, essa sabedoria teria sido passada à maçonaria, que originalmente era uma confraria de mestres construtores (maçons, isto é, pedreiros).
Para a maioria dos historiadores, no entanto, o motivo do silêncio sobre a ordem nesses primeiros anos é muito menos empolgante: é que ela ainda não tinha a menor importância (e que mais seria de esperar de nove cavaleiros que se propunham enfrentar todos os infiéis e bandoleiros da Palestina?). Porém, pouco a pouco, a ajuda de patronos poderosos e a sua coragem no campo de batalha começaram a aumentar o poder dos templários.
Em 1126, Hugo de Payns, nessa altura já conhecido pelo título de grão-mestre (chefe supremo) dos templários, viajou para o Ocidente para procurar recrutas e o apoio oficial da Igreja, e atraiu para o seu lado o monge francês Bernardo, abade do mosteiro cisterciense de Claraval, que foi canonizado como S. Bernardo.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
