“GUERREIROS DE CRISTO” (II)
“Seja como for, o facto é que, naquele mesmo ano, ele e mais oito companheiros (a lista nos nomes existe, e todos parecem ter vindo da nobreza de França) fizeram um juramento sagrado. Os votos eram exactamente os mesmos de qualquer monge do século XII ou de hoje: pobreza, obediência e castidade. Porém, a sua missão era surpreendente: assegurar, de espada na mão, que os peregrinos tivessem acesso sem medo aos lugares sagrados.
Balduíno II deu-lhes como residência parte do que ele julgava ser o Templo de Salomão. Na verdade, tratava-se da Cúpula do Rochedo e da mesquita Al-Aqsa, construídas pelos muçulmanos no lugar onde o templo tinha existido na época de Jesus. É a origem do nome “templários”: o lugar ficou tão identificado com a ordem que muitos se referiam a ela como “o Templo”.
Começa então a funcionar a todo o vapor a fábrica de lendas sobre os templários. Pouco se ouve falar das suas actividades, o que atrapalha bastante quem tenta entender a forma como a ordem evoluiu nesse momento crucial. “Os documentos sobre essa fase da história dos templários são escassos. De 1120 até 1140, tudo é especulativo”, diz Ellis “Skip” Knox, da Universidade de Boise (Estados Unidos).
Isso permite que os mais delirantes falem de uma escavação secreta no terreno do antigo templo: Hugo e companhia teriam descoberto um segredo dos primórdios da cristandade mesmo por baixo do seu quartel. Só alguns nobres de elevado escalão teriam sido informados da “descoberta” e silenciaram-na, em conluio com a ordem.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
