“GUERREIROS DE CRISTO” (I)
“Os templários (o nome completo era Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Jerusalém) eram filhos das Cruzadas, o movimento que levou dezenas de milhares de europeus à Palestina para restaurar o domínio cristão sobre a terra onde Jesus nasceu e morreu. Para os que embarcaram na difícil empresa, enfrentar a morte na batalha por Cristo significava uma passagem de primeira classe para o paraíso.
Organização e planeamento nunca foram o forte dos guerreiros: desconheciam a Palestina e cometeram muitos erros. Mesmo assim, em 1099, entraram vitoriosos em Jerusalém. Em teoria, a Terra Santa seria então segura para os muitos peregrinos que vinham da Europa. Na prática, o que os primeiros cruzados conseguiram foi um punhado de cidades que permaneceram cercadas por um mar de muçulmanos.
A segurança dos peregrinos e dos comerciantes era um problema crónico. O devoto escandinavo Saewulf, que foi a Jerusalém em 1102, escreveu: “Os sarracenos estão sempre a armar ciladas aos cristãos, à espreita dos que podem atacar por estarem num grupo mais pequeno ou daqueles que, por cansaço, ficam para trás. Ah, o número de corpos humanos que jazem, despedaçados por bestas selvagens!”
O perigo levou alguns nobres a irem participar na defesa da Cidade Santa mesmo depois de conquistada. Um desses aristocratas era um cavaleiro do Norte de França, Hugo de Payns, até então um ilustre desconhecido. Não se sabe exactamente quando nem por que razão Hugo foi parar a Jerusalém. Alguns relatos dizem que era viúvo e decidira dedicar-se a Deus depois da morte da mulher. Outros historiadores falam de um massacre especialmente sangrento de peregrinos, que aconteceu na Páscoa de 1119 e levou o rei de Jerusalém, Balduíno II, a estimular a formação de uma milícia que protegesse os fiéis, e que seria liderada por Hugo.”
Revista “Super Interessante”, nº 97, Maio de 2006
