“O CODEX 632″ (II)
“Atravessaram a praça e meteram pelas pitorescas ruelas laterais de chão empedrado, decoradas com vasos coloridos pendurados nas varandas.
[...]
«O senhor já ouviu falar na Ordo Militaris Christi?», perguntou o conde, olhando de relance para o seu passageiro.
«A Ordem Militar de Cristo?»
«Não, a Ordo Militaris Christi.»
«Não, dessa nunca ouvi falar.»
«Eu sou o grão-mestre da Ordo Militaris Christi, a instituição herdeira da Ordem Militar de Cristo.»
Tomás cerrou as sobrancelhas, intrigado.
«Herdeira da Ordem Militar de Cristo? Mas a Ordem de Cristo já não existe…»
«É justamente por isso que a Ordo Militaris Christi é sua herdeira. Na verdade, quando a Ordem Militar de Cristo foi extinta, alguns cavaleiros, inconformados com a decisão, decidiram perpetuá-la em sigilo e formaram a Ordo Militaris Christi, uma organização secreta, com regras próprias, cuja existência é apenas conhecida por alguns. Um punhado de nobres, descendentes dos velhos cavaleiros da Ordem Militar de Cristo, reúne-se todas as primaveras aqui em Tomar, sob o meu comando, para renovar os antigos costumes e registar a tradição oral dos segredos nunca revelados. Sabe, somos nós os guardiães dos derradeiros mistérios da Ordem de Cristo.»”
“O Códex 632″, José Rodrigues dos Santos, pp. 433, 434
